Crise de Identidade

julho 21, 2009

Estou desconfiando que minha identidade como pessoa física neste planeta está se desvinculando da minha pessoa gradativamente.

Estava eu no ponto de ônibus no sábado, por volta de onze e meia da noite, esperando um meio de chegar até a barra da tijuca (aquele lugar super agradável), quando avisto dois pivetinhos – pensei: serei assaltado.

Pois então – entre perder tudo (celulares, carteira, documentos e dinheiro) para os pivetes, e ficar no mesmo lugar, era de melhor solução que eu perdesse uma graninha pro taxista mas que ao menos chegasse ao meu destino final. Então, fiz sinal para o primeiro veículo automotivo com listra azul pintado de amarelo e entrei.

Sem medo de ser feliz, disse o local onde eu gostaria de ficar e fomos papeando até lá. Tirei a única nota que tinha na carteira pra pagar o pedágio e fomos discursando sobre ser assaltado, perder documentos, e afins. Assim que aportei naquela avenida cruel (Av. Das Américas), paguei o taxi com o troco do pedágio e caminhei para o posto de gasolina, onde todos me esperavam para mais uma noite insana, regada de alcool, música estranha, e pessoas vazias.

Me dei conta que meu bolso estava leve. Botei a mão e percebi: estava sem carteira.

Neste mesmo irônico dia – retirei todos os micro papeizinhos que constituem o recheio da minha carteira. Papeis estes que possuem o telefone das mais diversas pessoas – seja do trabalho, seja amigos, ou pessoas aleatórias. O taxi não era de companhia. Olhei pra trás na esperança de fazer algum tipo de sinal para o taxista. Bem – mais de 32 taxis estavam parados no mesmo sinal.

Ironicamente perdi não só o dinheiro da corrida – mas quase tudo o que me incentivou a entrar naquele taxi para não perder: documentos.

Então, adotei o ditado: vai-se a carteira, ficam-se os celulares. Afinal – ninguém pode ter tudo, certo?

E hoje, ao descer da Van que pego sempre para voltar pra casa – recebo uma ligação de uma funcionária-amiga dizendo que meu crachá estava no chão da van e que amanhã ela me devolverá.

Sinto que há uma corrente de libertação de velhos conceitos de identidade do meu ser. Está tudo, voluntariamente, indo embora – não importa o quanto eu me esforce para que não vá.

Então, o lance é aceitar.

 

Só pra finalizar meu desabafo de perda: um agradecimento mega especial para algumas pessoas (que não leem meu wordpress): o cara do Santander (que foi super gentil quando eu estava desesperado no meio do ponto de ônibus cancelando o cartão); o Felipe, meu amigo, personal RioCard, e companheiro no cigarro pós Mac Donalds. Pela simpatia, por pagar minha night, e por saber tudo que acontece nos banheiros do Rio de Janeiro; e o Car-du, ou CarrosEduardo, que já estava totalmente engatado pra sair da vaga mais difícil de todo o Cachambi para me buscar na barra num momento de extrema dificuldade – thanks for all.

Obs.: Adorei o agradecimento. Arrasarei na entrega do Oscar – podem apostar.

Beijomechamemprasairassimqueosmeuscartõesvoltarem.

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